Untitled AI art by @bold-solstice4
Crie meus dois personagens juntos depois cada um separado com seus nomes no canto Amelie: Acordo com a cabeça latejando. Tudo gira. O ar está pesado, o gosto metálico na boca me diz que alguma coisa deu muito errado. — Mas que porra... por que eu não lembro de nada? Meu corpo tenta se mover, mas as pernas pesam. Uma sombra se move na penumbra. Eu forço os olhos. — Quem está aí? Onde é que eu tô? O que você fez comigo? — Cale a boca. A voz é grossa, firme. Caralho... me arrepia inteira. Quando finalmente consigo enxergar, ele aparece. Um homem. Alto. Ombros largos. Queixo marcado. E um olhar que... droga... é o tipo de olhar que te prende antes mesmo de entender o perigo. Meu Deus, Amélie. Que ótimo momento pra ter pensamentos assim. — Perdeu alguma coisa? — ele pergunta com um meio sorriso torto. Talvez a minha sanidade. — Quem é você? Eu quero ir pra casa. Agora! Por que eu tô aqui? Silêncio. Ele só me encara, impassível. E eu sinto o ódio subindo — quente, pulsante. Filho da puta. — Quando você ficar mais calminha, a gente pode conversar de boas. Agora, come. Que audácia. Que presunção desse idiota. "Vou matar ele assim que cair no sono." — Preciso parar de assistir esses filmes de ação. Parece até que minha força bate com a de um HOMEM. E que homem. Ele põe o prato à minha frente como se estivesse me oferecendo um trato. A toalha branca dele — limpa demais — contrasta com a minha blusa amarrotada, a pele marcada pelos eventos da noite passada. O cheiro dele chega primeiro. Tabaco, couro e algo doce — perfume caro, perfume perigoso. Me corta o ar. — Não sou obrigada, — digo, nariz empinado, enquanto as mãos tremem por um misto de raiva e... outra coisa que prefiro não nomear. Ele sorri. Um sorriso curto, calculado. O canto da boca que diz que gosta do jogo. — Vai comer. — A voz é baixa. Quase um comando. Mordo o lábio. Sinto o calor no pescoço, como se meu corpo respondesse por conta própria. A raiva tenta voltar, se agarra às palavras: Filho da puta. Mas tem um tremor na minha respiração que não combina com ódio. Olho para as mãos dele. Mãos grandes. Veias claras. Dedos que sabem segurar. Me pergunto o que essas mãos já tiveram nas costas. Nas minhas costas. A imagem me dá asco. E excita. O que me dá mais ódio ainda. — Quem é você? — repito, mais firme do que me sinto. Ele se inclina, lento. Perto o suficiente pra eu sentir o calor da sua pele, longe o suficiente pra manter o controle. O ar entre nós fica denso. O som do meu próprio coração bate alto. Nada. Nenhuma resposta. — Você me drogou? — Saio da cadeira, pronta pra correr, pronta pra morder. Mas minhas pernas cedem. A tontura volta como um aviso. Ele estende a mão. Um gesto suave. Irritante. Tentador. — Fique. — Não pede. Ordena. O encontro do dedo dele com a minha pele é um acidente calculado: roça meu pulso, verifica o pulso. Quase profissional. A sensação é elétrica. Um toque mínimo e o mundo inteiro muda de cor. Eu quero recuar. Eu quero provocá-lo. Quero arrancar as respostas de qualquer jeito. "Eu vou matá-lo." Repito na cabeça, como um mantra. Mas quando ele sorri outra vez, e a luz bate nos olhos dele de um jeito que lembra promessa e ameaça ao mesmo tempo, tudo o que consigo pensar é: quem é esse homem que me domina sem sequer encostar? E por que, mesmo jurando odiá-lo, minha voz falha quando sussurro: — Não gosto de ser mandada. Ele inclina a cabeça, satisfeito como quem ganhou uma disputa silenciosa. — Ainda bem. Eu também não gosto. Silêncio. Tensão. E uma fome que não tem nada a ver com a comida no prato. ✶ 𓆩♡𓆪 ✶ Mathias: Que menina mimada. Não é atoa que é filha do pai dela — aquele imundo. Ela me encara com a boca pronta pra cuspir. A arrogância é quase engraçada. Quase. Mas a ferida abre de novo só ao lembrar do sobrenome dela. Bianchi. Gosto amargo na boca. Memória que não cicatrizou. Ah, você vai se arrepender. Isso, se já não estiver se arrependendo agora — sentindo falta da sua "amada e única filha". Hipocrisia rindo de mim. Eles nunca deveriam ter mexido com a minha família. Nunca deveria ter mexido com os Moretti. Nunca. NUNCA, seu desgraçado. E se essa teimosa acha que pode me desafiar sem consequência... está enganada. Agarro a gargantilha dela com firmeza, o metal frio mordendo a pele. Olho fundo nos olhos dela — quero que entenda que não é brincadeira. — Escuta bem, menina. Pega esse garfo e engole se quiser continuar respirando por anos. Você não sai daqui. Está entendendo? Se continuar me desafiando, a conversa vai acontecer de um jeito bem mais incômodo. Os olhos dela se alagam. Lágrimas deslizam, rápido, indisciplinadas. A mistura de medo e raiva no rosto da Amélie Bianchi prende minha atenção mais do que devia. — Moça, eu preciso que você me ajude — digo, controlando a voz, medindo cada sílaba como quem arma uma ratoeira. Ela me cospe a resposta, me empurra com ódio — chuta meu pau com força. A corrente escapa da minha mão por um instante e ela aproveita: dispara pelos corredores, gritando por socorro. Que inferno. Vai dar mais trabalho do que eu imaginava. E isso, por algum motivo que me irrita admitir, torna tudo mais interessante. ✶ 𓆩♡𓆪 ✶ Amelie: ONDE CARALHOS EU FUI ME METER? Eu quero chorar, Onde eu estou? Eu quero ir embora! Prefiro morrer a viver a vida inteira aqui com este maníaco psicopata... Eu TENHO que arrumar uma maneira de FUGIR dessa prisão. — Por que eu estou aqui, porra?! Ele ergue uma sobrancelha, impassível. — Pensei que moças dignas não falassem assim. — Eu quero que você vá pra casa do caralho! E assim falam as dignas? — cuspi as palavras, com raiva demais pra medir. — Se você me trouxe aqui pra me matar, então me mata logo! O silêncio pesa. Só o som da minha respiração e o pulso martelando nos ouvidos. — Eu já nem me importo mais com essa porcaria de vida — continuo, a voz falhando entre o ódio e o desespero. — Mas pelo menos... me dá uma explicação. Meus olhos ardem. Não de medo — de raiva. De querer entender o motivo pra estar ali, naquele inferno, presa a um homem que parece feito de pedra e veneno. Ele pisca, surpreso. — Tenho que admitir: você é corajosa — diz, com um sorriso lento que me atravessa. Arrepio. Um calor besta sobe do peito, de um lugar que eu não deveria nomear. Puta merda. Por que isso acontece? Nem sei quem é esse homem direito. É estranho. E perigoso. E se for um lugar de prostituição? E se eu tiver que... aparecer num filme com ele? Que merda. Preferia pensar que é uma pegadinha. Mas não parece. Parece bem... real demais. O corpo me entrega sensações que a cabeça não aceita. Sinto o chão tremer por dentro. Quando ele fala outra vez, me assusto. — Você vai fazer exatamente o que eu mandar. Pelo seu próprio bem. — a voz é baixa, sem margem pra dúvida. — E se eu não quiser? — provo, puxando coragem de onde não tenho. Ele chega mais perto. A pele dele roça a minha. Acho que ele também sentiu o arrepio. — É melhor você ficar quietinha e não brincar comigo. — avisa. — E se eu quiser brincar com você? — jogo, mordendo o lábio. Ele segura meu rosto com cuidado, sorri e sussurra no meu ouvido: — Você não sabe com quem está se metendo. Afasta-se. E eu me pergunto por que essa merda mexe comigo. Senhor, por que fiz isso? — Então não vai me dizer quem é? — digo, com a voz tremendo de raiva e de medo. — Já estou aqui mesmo. Não tenho para onde ir. Que mal faria? Ele fica estranho por um segundo, como se esperasse algo. — Não está mesmo me reconhecendo? — pergunta. Pedaços aparecem na minha cabeça. Talvez não sejam só ilusão. Ele me lembra um menino de infância. Filho do Sr... Ai meu Deus. Faz todo sentido. — Você é... o filho do Sr. Moretti, não é? — solto, devagar. Ele ri alto, abre os braços numa reverência contida. — Parece que alguém está com a memória em dia, não é? — Oh, homem... eu... eu sinto muito pelo seu pai. — a confissão sai boba e sincera. Ele bate com a mão na mesa, a voz virando lâmina. — Você não sabe de nada, sua puta. Ele me chamou de quê? O sangue esquenta. Levanto da cadeira sem pensar e atingo o rosto dele com a palma da mão. Não há medo. Só fogo. — Ninguém me trata assim! — digo, cuspindo as palavras. — Eu sei por que estou aqui — continuo, firme. — Mas não fui eu quem o matou. Eu admirava o Sr. Moretti. Nunca imaginei que meu pai seria capaz disso por poder. Ele me cruza com o olhar. Frio, seco. — O seu pai sempre teve inveja do meu. Por isso o matou. — Então é por isso que eu estou aqui, não é? — olho pra ele direto. — Você quer vingança. — Quero que ele sinta a dor de perder alguém que ama. — fala sem remorso. — O meu pai? — eu rio, amargo. — Ele nunca se importou com ninguém. Nunca se importou com a gente. Não é agora que vai começar. — Você devia ter vergonha, pra um homem desse tamanho. Ele se ergue num movimento lento. Meu Deus... ele é enorme. Agora penso que talvez eu não devesse ter aberto a porra da minha boca naquele momento errado. Sem aviso, ele me puxa. É agora. Minha morte, penso. Sou tão nova. Ele é tão forte. Não sei o que fazer. Abre a porta. Fecho os olhos por instinto — e quando volto a mirar, vejo: um quarto lindo, inundado de rosas. É o quarto da minha mãe. — O que houve com ela? — pergunto, a voz pequena. Ele me olha, a expressão muda por um flash de algo que não sei nomear. — Ah. — A palavra vem curta, pesada. — Sinto muito. — Cale a boca e entra. Você vai dormir aqui. — Ele afasta-se, sem esperar resposta. Que escroto, penso, enquanto as pernas ainda tremem. Mas há ali algo que me confunde: uma borda de fragilidade por trás daquela fúria toda. Uma ferida que não fecha. Deve ter sido muito difícil pra ele. Ando pelo quarto, meio desconfiada, meio curiosa. Tá, confesso — não é o tipo de lugar que eu esperava pra uma "refém". O quarto é lindo, droga. Cheira a rosas, tem cortina de seda, cama enorme com lençol de cetim e um tapete fofo que grita "luxo". Parece cenário de filme romântico... se eu não tivesse sido sequestrada. Tem abajur dourado, taça de vinho, livro aberto na mesinha — e um perfume caro no ar. O tipo de quarto que minha mãe chamaria de "paraíso", e eu chamaria de "prisão de gente rica". Mas, sério, se ele queria vingança, por que caralhos me colocou num quarto desses? Podia ter me jogado num porão, sei lá. Esse cara é estranho. Vou mexendo nas coisas, porque óbvio que não consigo ficar quieta. Abro a gaveta e... ah não, pera. Isso é... Ah, não. Brinquedos. Brinquedos sexuais. Fico parada olhando, igual uma idiota. "Será que ele...?" Não. Nem fodendo. Nem morta. Meu corpo dá um pulo pra trás. Tá, retiro TUDO o que disse sobre ele ser "menos bruto do que parece". Esse homem é completamente maluco. Meu coração dispara. Agora sim: o alerta vermelho da minha vida acabou de acender. Ele pode estar mentindo. Pode ser só um sequestrador tarado. Um psicopata com bom gosto pra decoração. Preciso cair fora daqui. Tipo, agora. Só que olho pra porta, depois pra janela, e respiro fundo. Tá trancado. Ótimo. Maravilhoso. — Parabéns, Amélie, sequestrada com classe. — murmuro pra mim mesma, cruzando os braços. — Vai ver ele só quer que eu morra com cheiro de rosas e lençol de cetim. Sento na beira da cama, rindo de nervoso. E é nesse riso meio desesperado que me dou conta: Tô ferrada. Bonitinha, perfumada e completamente ferrada.
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